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A Inveja - Homens x Mulheres (parte 2)

Se amar é bom - e necessário - como conciliar liberdade, casamento e igualdade?

Confúcio (séc. 4ºa.C.) tem uma frase interessante: o casamento é um monstro que destrói corações apaixonados. Será mesmo?
Dizem que os casados que amam de verdade, perdem espaços; ficam sem varanda, sem quintal e sem tempo. É como se vivessem atrás de máscaras em falsa sintonia com a realidade.

Se de um lado é bom se submeter, dizer aonde vai, aonde foi, perguntar se pode ou se não pode, por outro lado, o universo de quem está atrás da máscara não bate com a individualidade.
Por isso, de vez em quando é preciso tirar a máscara, ser o que é, em benefício do equilíbrio na relação.

A continuidade do relacionamento não depende só do amor e da beleza física. Em primeiro lugar é preciso respeito às diferenças, e administrar isso. Se o amor e a beleza física fossem mais importantes, o tempo abateria a relação.

Outra dificuldade na peleja entre homem e mulher está nas paixões do tipo Romeu e Julieta, porque fortalece e enfraquece; o mundo dos apaixonados acaba se reduzindo a uma rede e a uma cabana. E a vida não é assim. Pai e mãe não são para sempre.

Há exceções. Aconteceu com Nelson Freire, nosso famoso pianista, que revelou em sua biografia que seu talento se desenvolveu quando encontrou o primeiro e único amor - sua professora de piano.
Mas o problema maior numa união sem inveja está em conciliar a emancipação da mulher à vida a dois. O marido tem de ser um homem diferente do que foram seus pais e avós.

Os serviços domésticos, que pela tradição e circunstâncias pertenciam às esposas, muitos homens não estão levando numa boa. Isso pode desestabilizar a união.
Einstein afirmava que é mais fácil desintegrar um átomo do que acabar com um preconceito.
O gostoso na vida é se envolver. É o que vale. E cada um vive bem ao seu jeito.

Em verdade as mulheres não querem só carteira assinada, planos de saúde e aposentadoria. Querem liberdade e igualdade; querem estar ao lado dos homens, sem ser mais, e sem ser menos.

A pílula, o universo descartável e a liberdade mudaram o comportamento feminino. Agora, as solteiras, casadas, separadas e outras, gerenciam carreiras e empresas, planejam filhos e sexo, dirigem cozinhas e carretas, usam a pena e o revólver.

Elas não descartam os homens; apenas estão ficando independentes deles. 
Apesar de tudo, por enquanto ainda vale a pena passar a vida em boa companhia, ou apenas sentir e viver bons momentos.
O romance não acabou, nem vai acabar. Seria terrível isso.

Existem, com certeza, mulheres que desejam dos homens algo mais do que companhia para levá-las a um restaurante ou fazer consertos na casa.
O tipo de homem reluzente e cheio de músculos, que veste roupas novas e exibe carteiras de grife, não faz mais tanto sucesso entre as mulheres.

Estes foram preteridos aos homens que têm pegada, aos resolvidos, aos que deem valor ao trabalho feminino, tenham assuntos, sejam bem humorados, e que não sejam tão bonitos nem tão feios, nem tão puros nem tão obscenos, nem tão delicados nem tão rudes.
Inveja? Quem tem afinal?


Plínio Montagner