A Psicanálise das Configurações Vinculares, com esta denominação começou a ser utilizada pelos Argentinos em 1988, (para abarcar a Psicanálise de diferentes Grupos). Teve sem dúvida uma forte influência dos Psicanalistas Franceses: Kaës / Anzieu e mesmo de Lacan.
Enquanto que, a Grupanálise pode considerá-la fundada por FOULKES (1964) que cita como seus antecessores: Trigant Burrow/ Wender/ Schilder/ Slavson/Alexander Woolf e Bion. Depois o Professor Eduardo Luís Cortesão (1956) que criou a Escola Grupanalítica Portuguesa (baseada nas idéias de Foulkes) quando foi fundada a Sociedade Portuguesa de Grupanálise.
Em Psicanálise das Configurações Vinculares: (A grande diferença!) Três aspectos distintos da Teoria, devem orientar a formulação das Interpretações.
1. A partir da Teoria do Narcisismo # (o ato de Interpretar rompe a Fantasia de Fusão com um Objeto Imaginário). Desfaz um Vínculo Ilusório (e se a Interpretação tiver êxito, pode-se ter acesso a outro nível Vincular Simbólico. Não é o Grupo que tira o sujeito do estado de fusão narcísica (mas sim) uma Interpretação adequada. # TEORIA DO NARCISISMO: se fundamentava em especulações imagináveis (as Pulsões Libidinais tomavam o próprio corpo, como fonte de gratificações libidinais). Na atualidade, um importante paradigma da Psicanálise Atual, pode ser formulado como: “onde estiver Narciso, Édipo deve estar”.
2. A partir das Teorias das Configurações e das Ansiedades Básicas (ansiedades básicas são aquelas de características desintegradoras) que podem produzir no Grupo um tipo de defesa, em que a distribuição de papeis se organizam numa configuração diádica / triádica /triangular.
3. A partir da Teoria das Transferências (reconhecendo as Transferências múltiplas que se estabelecem pela Repetição de Vínculos Arcaicos) no aqui – agora. O objetivo é ter acesso à situação histórico-genética de cada integrante.
JÁ, como sabemos, na GRUPANÁLISE: Segundo Cortesão (a Interpretação deve ter vários níveis).
a) Genético-evolutivo (acentuando aspectos genéticos do Self investigando sua estrutura e crescimento).
b) Desenvolutiva (baseada na inter-relação do Self com a matriz familiar e social).
Cito uma síntese, da Dra. Marina Durand: “Há um deslocamento do centro de interesse. Onde estava o intra, agora está o entre. Evidentemente, o que se passa na zona de encontro tem a ver com a subjetividade dos participantes do vínculo, mas este é definido a partir do desencontro entre os fantasmas que, ao não se completarem, trombam no meio do caminho, dando muita dor de cabeça quando retornam ao habitat original.”
Tanto a Psicoterapia Analítica de Grupo/como a Grupanálise/como também a PSICANÁLISE, a PSICOTERAPIA DAS CONFIGURAÇÕES VINCULARES são todas herdeiras, desta Nova Concepção onde o Indivíduo e o Grupo são compreendidos, numa relação de reciprocidade (relação esta, da qual participam tanto as partes observáveis; quanto os invisíveis do indivíduo). E onde, há a noção de que no Grupo como um todo. (também ocorrem fenômenos que vão além daquilo que se pode ver a olho nu).
Um alerta que me parece fundamental: É que o Aparelho Psíquico Grupal, definido por Kaës (do qual decorre a expressão Inconsciente Grupal) é algo muito diferente de mente coletiva ou social, conforme definiam os nominalistas (que consideravam o indivíduo uma abstração/mero produto social).
Conviver é preciso? Sim, somos seres eminentemente sociais; sem Vínculos, somos como uma Nau sem porto... Se vivermos à deriva; à mercê de nosso Inconsciente. Como perdemos, imaginem, de conhecermos outros horizontes! Conseqüentemente, de sermos mais F E L I Z E S!
Celia Gevartoski