Links recomendados:

Feridas da Vida

As feridas da vida vêm e vão, sem hora, sem dia, sem lugar nem idade.
Geralmente o tempo resolve a maioria delas. Se não resolver, a medicina dá um jeito, a benzedeira, o padre, um amigo, uma reconciliação, um abraço e ou um pedido de desculpa resolvem.
Não há quem escape dos sofrimentos. Gente boa, gente ruim, todo mundo; uns sofrem mais, outros menos, quem vai para o céu e quem vai para o inferno.
Pensar nessas coisas não adianta nada. O jeito certo de viver é ignorar o amanhã.

Muita gente se vangloria, e com certa razão, que não bebe, não fuma, dorme direitinho, pratica esportes, caminha diariamente, trabalha muito, não como doce nem picanha nem exagera no sexo.

Mas, e daí? Será que vale a pena tanto sacrifício para ter bens além do necessário, não ter barriga, ser bonito e atleta?
Outros vivem felizes - aconteça o que acontecer - porque têm certeza de que seu lugar no céu já esta reservado.
E se essa história de céu, inferno e purgatório for tudo invenção? E daí? Adiantou alguma coisa viver 100 anos sem nenhum pecadinho?

Os adolescentes sofrem por causa de espinhas, gordurinhas, amores não correspondidos, indelicadezas dos pais; e outros, sofrem porque têm tudo, ganharam coisas demais, e agora não têm sonhos.

As crianças, nem se fale, nascem chorando: sentem fome, tem medo do bicho-papão, do boi da cara preta e sofrem violências. Depois aparece uma professora brava; um amiguinho chato, uma desilusão, e assim vai.

Os pais também são culpados pelos sofrimentos dos filhos quando pecam pela omissão ou pela repressão exagerada. Mas certos sofrimentos dos filhos são necessários. Feridas da infância o tempo e a inocência curam depressa. Alguns aconchegos, abraços e chocolates, e tudo se arranja.
Mas nem todos os chocolates do mundo e orações amenizam os sofrimentos das crianças vítimas dos holocaustos políticos e econômicos que acontecem. O tempo passa e as feridas vão ficando mais cruéis.
Todos têm problemas, os padres, o Papa, gênios e néscios. E cada fase da vida as feridas aparecem de um jeito.

Os amores ocupam o topo das nossas dores, que sem aviso, deixam órfãos muitos corações. Sofrer por amor é duro demais. Mas há uma outra dor, até maior; um exame médico positivo. Pronto, lá se vão otimismos e projetos.

Não somos nada. Uma bacteriazinha à toa, de repente, aparece do nada e abate o forte; uma artéria meio entupida, um capilarzinho... . Acabou!

A humanidade está carente de espiritualidade, de amor ao próximo, de delicadezas, de ética, de moralidade, de elegância, de sorrisos e de abraços que diminuem egoísmos e afrouxam corações empedrados.

por Plínio Montagner