II. Parte
III. Parte: A GENTE URBANA
Século XIX
“Casa do Povoador”
Relíquia de uma época
Vigia do Vai-e-Vem.
Um marco de louvor
A Manuel Dias Ribeiro
O Mestre carpinteiro
O construtor da ponte
A famosa ponte
Do lendário Vai-e-Vem.
Ontem...
Rua da Ponte
Hoje...
Prudente de Morais.
Nem o silêncio dos anos
Nem o pó das gerações passadas
Jamais esquecerão.
O grande Correia Barbosa
Sertanista fundador
Mais tarde
Diretor e capitão da povoação.
Casa grande
Venda
Pátio ao lado.
Casa branca
Sentada na calçada.
Por isca ou por tocaia
- De quem chega e passa...
Na soleira da porta
Na casa branca
Do pátio ao lado
Um vulto de mulher
Mariana Dias
Orgulho de uma raça.
Raça de heróis
De alta envergadura
Rastreando
Páginas
De indômita
Coragem:
Garrucha na cintura
Soletrando passos
Altivos, voluntariosos
De mulher paulista.
Merecidas loas
Todo canto é pouco
Para consagrar um nome:
Marina Dias
Que marcou uma história
Que viveu seus dias
No coração do povo.
Quando Piracicaba
Ainda / era Freguesia
Terra encantada
Piracicaba
Que viveu o carisma
De Mariana Dias!
A casa da Alfândega
Na rua da Praia.
Casa da Alfândega
Re-recontando cangalhas.
Negaceando
Pechinchando e fazendo preço
No balcão de embira e couro
Dos balaios e jacás do tempo.
Casa da Alfândega
Onde as sacas eram empilhadas
E desempilhadas
Ao sabor dos ventos / e doces esperanças.
Sons de cincerros
Rudes tropeiros
Vindos de longe
Da cacunda do sertão.
Ontem...
Rua da Praia
Centro da comunidade Piracicabana.
O comércio, a vida, a beleza
Agitando
Esses ruas descalças
E nuas de calçadas.
Rua da Praia
Coração palpitante
De Piracicaba antiga.
Ontem...
Rua da Praia
Hoje...
Rua do Porto.
Rua do Porto...
Armada
Como um marco
A desafiar o tempo.
Piracicaba de Ontem
Piracicaba antiga.
O silêncio da mata
Quebrado
Pelo som dos cincerros.
O grito plangente
Agudo
Das aves selvagens
Despertadas
Ao rumor do Rio.
Piracicaba:
Paragem
Pálida luz
Contornos desiguais de estrada.
Nas quebradas dos outeiros
Verde, muito verde
Solene
Grandioso
Capão da mata virgem.
Piracicaba longínqua...
Que sublime mundo
Que portentosa terra!
Cercada
De verdura tenra.
Grinaldas de parasitas
Suspensas, silenciosas, coloridas
Entrançando
Longos colares de cipó.
Densa, verde, incrível
Vegetação...
Formando românticas colunas
Soberbos pórticos
Profundos e misteriosos santuários
De grandes templos no Sertão.
Impenetrável de luz e trevas
Vergônteas e flores
Colorindo e perfumando
O espaço, azul, rosa, lilás.
Piracicaba
Ouvindo um rumor eterno
Vago, indefinido
Mas real.
Formulando notas fugidias
Na linguagem profunda
De terra palpitante...
Gemer de folhagens
Gritos de aves
...E o murmurar do Rio...
Piracicaba antiga
Rua da Praia
Ecoar dos passos
De Mariana Dias
A ponte
A Freguesia
...E o desmembrar da Vila.
Piracicaba de ontem...
Rua da Praia
Vago sonho etéreo
Rua
Que a imaginação
A alma e o coração de um povo
Jamais olvidarão.
Rua da Praia
Acariciada pelo Rio
Que serpenteia / Em busca do sertão.
Piracicaba de hoje...
Eu / perpétuo em rima:
Crepúsculo. Saudade
A natureza espreita
Os derradeiros tons
Da tarde que agoniza.
Em rosa e ouro
O sol, calmo se deita
E da noite o langor
Lentamente desliza.
Um sonho malogrado
Uma ilusão desfeita
Um céu crepuscular
Recorda e simboliza.
E a alma
Que ama e sofre
Indiferente aceita
O pranto da saudade
A dor que martiriza.
Sombra crepuscular
Piracicaba
Como és doce...
Embalando a minh’alma
Assim como se fosse
A boneca querida
Dos tempos de menina.
Adoro-te
Cidade – hospitaleira e bela
De manhã de sol e flores
Envoltas na neblina.
De tardes nacaradas
E noites de opalina.
Meus versos, eu te dou
Cantando os teus primores...
No teu áureo crepúsculo
Noiva da Colina.
Piracicaba
Das serenatas românticas
Das alegres clarinadas
Das lutas...
Pela liberdade
Pela constituição
Pela democracia.
O Rio existe
A História existe
Piracicaba está aí
Magnífica
Clorofilada
Majestática
Augusta
Noiva da Colina!
------------------------------------ Jahyra Boucault Arruda -----------------------------------