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Interpretação dos Sonhos

Segundo Décio Gilberto Natrielli: “Um sonho não interpretado é como receber uma carta de amor, da mulher amada e não lê-la”... O sonho é um assunto que desperta a atenção de toda e qualquer pessoa.

Há uma busca incessante de entendimento do que se passa com o sujeito à noite quando se recolhe do seu mundo externo para o repouso físico e psíquico. Porém em hipótese alguma elimina a necessidade de buscar a leitura e o estudo da obra do grande mestre, Freud, sobre o assunto. Ele afirma que “o Sonho e a sua Interpretação” como sendo a “Via Regia para os Processos Inconscientes”, e tem como condição lógica o sono, onde o ego se retira da realidade externa, com a inibição do acesso à atividade motora.

Para Freud: “o sonho é a realização de um desejo”.
Para Garma: “o sonho” não só é a realização de um desejo, mas a “reprodução”, ou “repetição da situação traumática”.
Com Bion: conhecemos a importância da Interpretação para as Transformações do Conhecer em Ser, abrandando o nosso “Superego Psicanalítico”, numa Atitude de Continência, “Sem Memória, Sem Desejo e Sem Compreensão”, no “aqui - agora” e o Relato e o Entendimento dos nossos Sonhos (do Paciente e do Analista) podem ser uma ferramenta fundamental, para Trabalharmos as Transferências e as Contra- Transferências, que ocorreram através deles.
Para David Zimerman: somente de forma parcial, o sonho é uma realização de um desejo. Na atualidade, se considera que o sonho é uma manifestação de que, durante o sono, o psiquismo está trabalhando, fazendo alguma forma de elaboração que de simbolizar angústias, ou algum estado de felicidade, ou que, no curso de uma análise, o sonho pode estar demonstrando pela linguagem de símbolos como é que, em determinado momento, a análise está agindo no interior do paciente.

Assim, a afirmativa reducionista de que qualquer sonho significa unicamente um desejo oculto não passa de um mito, que tem raízes no passado da Psicanálise. Longo tempo foi dedicado à reflexão e estudo das representações e dos pensamentos que acontecem na Vida Onírica, bem como suas manifestações via formações de compromisso, através dos sonhos. O tema não se esgota aqui, mas nos instiga a novas buscas e leituras, na medida em que se abrem as possibilidades de delongar e se estender à escuta e ao olhar clinico, no Setting Analítico.

Freud afirma que no inconsciente não existe “índice de realidade” motivo pelo qual parece difícil distinguir uma “verdade” de uma “ficção investida de afeto”. A Vida de Fantasia e a Vida Onírica estão apoiadas nos acontecimentos da Vida de Vigília, e o Tratamento Psicanalítico se fundamenta no pressuposto de que os sintomas se baseiam, em uma Realidade Psíquica. Percebo que é para aí que se dirige a escuta, isto porque, este é o “Objeto de Investigação” tanto da Psicanálise, como forma de conhecimento, tanto do Analista como do seu Paciente. Nessa reflexão, estabeleço e percebo que um paralelo entre o Sonho e a Sessão produz um efeito fecundo. Cabe ao Trabalho Interpretativo realizar o percurso inverso da Elaboração Onírica, para chegar às formações do inconsciente.

Na Clínica, a Análise do Paciente equivale a entrar num Sonho que não é do Analista e sim do Paciente. A escuta não se limita à Interpretação dos Sonhos, nem à Construção das Lacunas que possam apresentar, ou do Sintoma de que o Paciente possa se queixar. Ele não apenas conta os seus Sonhos, mas de tudo que conta, fala como num Sonho, de suas Limitações; de suas Inquietações; de seus prazeres e de seus Sofrimentos secretos; aos quais, se entrega tanto à “hora de dormir”, como na “hora da Sessão Analítica”. Portanto, quão importante se faz a Interpretação e a Compreensão dos nossos Sonhos, tanto do Paciente como do Analista.


Celia Gevartoski