Das ambigüidades de sentimentos a realizações com os netos.
Ouvimos que ser mãe é algo exclusivamente bom, sublime, prazeroso, mas o que observamos nos primeiros períodos da maternidade são mistos de sentimentos bons e ruins. Porém estas ambigüidades de sentimentos vividos pelas mães, não são verbalizadas pelas mesmas, pois estas se sentem envergonhadas e até mesmo culpadas por vivenciá-los. Observamos que muitas escondem de si mesmo que estes sentimentos estejam acontecendo afinal eles não são sublimes, alegres divinos como sempre foi passado.
As mães neste primeiro momento sentem dificuldades e emoções que desconheciam e que passam a surgir, como o choro sem motivos aparente, a dificuldade de se sintonizar com o marido, a não aceitação e reconhecimento de seu corpo agora tão transformado, seus medos, angústias, cansaço, e insegurança quanto ao futuro.
Estes sentimentos de bem estar e dificuldades em relação às mudanças e a condição vivenciada é natural, normal e saudável. Quando ela entende esta dinâmica passa a se permitir a conviver com seus sentimentos ambíguos, se sentido normal, ou seja, identificada com o momento em que vive.
Com o decorrer do tempo de forma gradativa, o seu retorno às atividades anteriores a vinda da criança passa a ocorrer, com isto seus sentimentos tendem a se equilibrar. O casal reformula seu espaço, o prazer conjugal se estabiliza. No consultório é comum escutarmos das mães “o pior já passou”.
Conforme os filhos crescem, deparamos com a difícil arte de educar. Como contrariar aquela pessoa que tanto amamos? Por mais difícil que possa parecer, isto se faz necessário e sua saúde emocional dependerá deste momento. É justamente colocando limites que damos aos nossos filhos a possibilidade de conseguirem uma autonomia responsável. A autonomia dos filhos causa em seus pais temores, afinal eles tomaram decisões e escolhas que determinaram parte de seu sucesso, como a escolha profissional, a busca de seu parceiro...
Mais à frente um pouquinho, deparamos com mais uma etapa na arte de criar nossos filhos na fase onde eles levantam vôo, saem de casa para construírem suas próprias vidas, indo estudar fora ou mesmo casando. Neste momento a função da mãe muda completamente, a ligação aos filhos se dá de forma afetiva, um pouco mais distante, afinal eles tomam suas vidas em suas mãos, passam a administrá-la e serem autônomos. O respeito, aceitação e o espaço dado pelos pais fazem com que seus filhos se desprendam, criando condições de buscar seu estilo e felicidade própria.
Com o aparecimento dos netos a mãe voltará a se realizar, agora como avó. Seus bebês voltam, mas com outra roupagem, ou seja, agora apenas para serem curtidos, sem grandes responsabilidades e preocupações.
Ser mãe é uma tarefa difícil, requer atenção e muita dedicação. Permitindo passar por estas fases poderemos viver sentimentos incríveis ajudando nossos filhos a se autoconhecerem de forma saudável e construtivo.
Margarete Zenero