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Meu pai, cadê?

Com a separação do casal observamos que o homem não se separa só da mulher, mas também dos filhos, deixando assim de exercer a função paterna. Antigamente este dado estatístico era maior, com o decorrer dos anos percebemos que tal atitude vem se reduzindo consideravelmente.

Mas o que fazer com esta criança em que o pai desapareceu?

É comum no relato da mãe escutarmos que por mais que ela tenha se esforçado pra suprir esta falta, não tenha conseguido, pois seus filhos sempre a perguntam pelo pai, querem noticias, informações. E quando não as tem chegam a perguntar para outros parentes, amigos, chegando até a questionar se algum deles não seria seu pai.

O que fazer?

A primeira providência a tomar é não negar a verdade. A criança tem o direito a ela. Porém a forma de se contar os fatos para uma criança é diferente da que se conta para um adulto, lembrem as crianças não possuem os mesmos recursos necessários para lidar com algumas informações que um adulto. Podemos contar a mesma verdade de forma diferente para o adulto e para a criança.

Um fato importante para que a mãe consiga conduzir esta conversa de forma saudável, é estar segura que a mesma superou a mágoa da separação e principalmente o fato do ex-marido não se interessar em exercer seu papel de pai. A serenidade, o carinho, o suporte emocional da mãe, no momento desta conversar com o filho é fundamental para se obter um bom resultado.

É importante para a criança saber que seu pai está distante e que mesmo gostando dele se atrapalha e não sabe lidar com algumas de suas dificuldades para poder vir vê-lo. Ou seja, o problema nada tem a ver com o amor para com o filho e sim com sua própria dificuldade interna.

A diferença disto para a afirmação de que o pai não gosta, ou não se importa com a criança é o fato de deixar o problema com o pai, pois quando a criança se sente rejeitada ou não amada buscando motivos internos, ou seja, se pergunta, o que teria feito para não ser merecedor deste amor e de tamanho desprezo. Quando a criança segue este raciocínio sua imagem, amor próprio, auto estima, se comprometem para o resto da vida.

Algumas dicas ajudam neste momento. Se a criança não chegou a conhecer seu pai, ou não se recorda, se a mãe tiver uma foto mesmo que antiga, mostre a criança. Isto faz com que ela materialize uma imagem dando assim uma forma a este pai, ela poderá quando pensar dele produzir uma imagem.

Tentar um contato com o pai mostrando a necessidade da criança, pode ser uma boa alternativa, mas para isto é importante a mãe se livrar das rusgas e mágoas. O pai precisa sentir que a necessidade é da criança. Às vezes um contato por telefone já faz com que a criança se satisfaça e até possa contar mais com ele em sua vida.

Mesmo que a mãe constate que o pai não quer saber da criança, dizer isto a ela não é saudável. Crescer com a idéia de ser um filho rejeitado não pode ser uma coisa boa para o filho. Ele poderá ir descobrindo tal fato conforme sua estrutura emocional lhe dê este suporte.


por Margarete Zenero