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O que fazer se seu filho está com ciúmes do irmão mais novo?

Sempre que um irmão surge na família, geram certo desconforto ao irmão maior, normalmente ao caçula, mas nem sempre somente com ele, pode ocorrer com outro irmão.

Porque isto ocorre? A criança passa a sentir medo e insegurança, temendo perder o amor dos pais para esta nova criança que está chegando. Esta confusão gerada entre o querer o irmão, mas não querer perder seu amor pelos pais gera muita angústia, em algumas crianças notamos isto claramente em outras já percebemos uma camuflagem, ou seja, passam manifestar sintomas como falta de atenção escolar, tiques, gagueira ou ainda sinais de regressão como voltam a querer tomar mamadeira, ou chupar chupeta, molham a cama e podem vir até a pedir colo, ou mesmo para mamar no peito da mãe.

Isso ocorre porque querem voltar a serem bebês para agradarem aos pais que desejam um, assim como não perderem seu trono até então preservado pela família.

As crianças sofrem muito e os pais nem sempre sabem como agir. Os pais não conseguem entender o que se passa exatamente com seu filho e chegam a achar que estão exagerando ou coisa parecida. Mas eles sofrem muito e precisam da ajuda dos pais – que, por sua vez, também estão num momento crítico que é o de receber um bebê.

O importante neste momento é que os pais tenham conhecimento de toda esta problemática. A situação é complicada para os pequenos. A necessidade de ir os preparando durante a gestação é fundamental, assim como é fundamental a própria preparação dos pais para a vinda desta nova criança. A família tem que enfrentar a realidade e saber que muita coisa mudará, e assim como ocorrerão algumas perdas virão as recompensas. Agora ele terá uma companhia, porém terá que esperar ele crescer um pouquinho. As vantagens não são imediatas e devemos lembrar que a criança é imediatista, ela quer “agora”, quantas vezes precisamos mostrar que nem tudo dá para fazer naquele momento e que saber esperar é fundamental.

Os filhos mais velhos podem e devem expressar o que sentem, afinal na maioria das vezes suas reclamações são reais, ou seja, seus pais realmente terão um foco maior à criança menor pois a situação exige tal conduta.

Ao expressar seus sentimentos poderá aliviar sua angústia, e os pais por sua vez poderão compreender o que se passa passando aos filhos sua parceria neste momento difícil sem desvalorizar a presença do irmão que acaba de chegar. 

Sempre que esta abertura acontece, ou seja, se permite dizer o que sentem sem recriminação, possibilita colocar a angústia para fora, evitando assim agressões camufladas, como beliscões exagerados na bochecha do irmão menor, ou outro comportamento agressivo, pois aquilo que não sai pela boca sai de uma outra forma geralmente com comportamentos agressivos. Estes comportamentos não devem ser permitidos.

A discriminação de um sentimento negativo, ou a fala de algo que nos incomoda deverá servir para um crescimento, ou seja, falando podemos lidar melhor com o que acontece e assim aceitar as mudanças acarretadas. Os pais não podem permitir que a criança atue em cima daquele ódio que ele verbaliza, pois, por mais que esta presença esteja doendo, não se pode ignorar ou permitir as agressões físicas.

A divisão do espaço afetivo é sempre complicada no início.  Mostrar as vantagens advindas pelo fato de ser o maior é extremamente importante.  Mostre o quanto ele já consegue fazer “coisas”, como pedir água, sem precisar que a mãe adivinhe. Ou mesmo não precisar mais ficar com um pano esquentando a bundinha, ele já sabe ir ao banheiro, enfim... Pense nos comportamentos independentes que ele já adquiriu e mostre a ele.

Que as crianças sofrerão com a vinda de outro irmão, é inevitável. Por mais que as preparemos, não será possível eliminar seu sofrimento. Porém se você perceber que isto não se reduz com o tempo busque uma ajuda psicológica. Tal problemática não deverá se estender por muito tempo, isto afetará seu desenvolvimento emocional dentro ou fora da família.


Margarete Zenero