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Passeio na Praça

Nas árvores frondosas, onde os galhos se separam para deixar passar os fios de eletricidade, deixando a coitada descaracterizada em sua própria forma, os passarinhos procuram se agasalhar nos ramos que resistiram à poda, às vezes indiscriminada, que leva a  um definhamento assassino. 

 Os carros estacionados debaixo delas ficam salpicados do dejeto das aves. Elas vêm para a praça  porque as florestas, onde era o seu habitat, se transformaram em canaviais, estradas asfaltadas, casas e prédios que mais parecem um pombal. 

Os idosos encontraram a única saída de trabalho para melhorar sua renda empurrando mini-carrinhos, levando crianças alegres, que usufruem desse lazer, sem nunca perceber o drama do empurrador de carrinho, que as considera como se fossem seus netos ausentes.

O chafariz espargindo para o alto jatos fortes, traz para a nossa mente, de forma nostálgica, imagens fugidias  de como era o chafariz de muitos anos atrás. 

Os sons tocados  pela banda do coreto se espalha pelos ares,  e as crianças dançam ao som da retreta, em passos de dança moderno, como se vê na televisão, como jamais foi dançada essa música, balançando braços, bumbum e sacudindo os cabelos à la Xuxa, agora tudo é adaptado e se faz outra leitura da nossa realidade. 

As barraquinhas vendendo artesanato são um chamarisco para as donas de casa, que se deliciam em admirar os guardanapos para a cozinha, toalhas, quadros, plantas e flores, sem dizer dos doces e salgados como cachorro-quente e temperá. 

Hoje novos problemas surgiram, como falta de vagas para estacionar os carros, crianças de rua perambulando por ali, muitas delas perdidas pelo crack, que se transformaram em pesadelo. 

Não se quadra mais a praça com toda aquela hierarquia que separava os pobres e ricos. 

 Por que ficar em casa  se na praça há uma explosão de sons, cores e de entretenimentos, e também encontro de amigos? 

 “A mesma praça o mesmo banco o mesmo jardim?”      

Não, já é outro! As pessoas também são outras, o ambiente se transformou. 

Não traga consigo seu saudosismo que não volta mais, seja flexível e se adapte às mudanças naturais da vida. 

 Se a vida lhe deu um limão, ótimo: faça uma limonada!


Elda Nympha Cobra Silveira