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Preconceitos

Einstein disse que é mais fácil desintegrar um átomo do que acabar com um preconceito.

Preconceitos não deviam existir. Mas não tem jeito; até animais os têm. Não existe a história infantil do Patinho Feio?  É mais ou menos isso. Preconceito no mundo animal.

Ninguém nasce com preconceito, nem nasce bom nem mau. Tudo acontece devido ao meio, aos costumes, à tradição, às religiões, à genética e à educação.

O espírito gregário é natural nas espécies. Preconceitos são comportamentos naturais das espécies. Sempre foi assim. Os indivíduos não avaliam os outros como seus iguais, não os analisam pelas suas qualidades, mas pelos paradigmas do grupo.
Tudo que está fora do padrão, do modelo, é estímulo à rejeição e nenhum indivíduo do grupo sabe por quê. O outro, o estranho, é considerado “diferente” - e acabou o assunto.

Nasce então essa barreira subjetiva chamada preconceito.
Hoje os brancos estão se sentindo também discriminados. Os negros  chamam brancos de branquelos, e de brancos mesmo, numa boa, e tudo bem. Mas o branco não pode se referir a indivíduos de pele escura de negro. Nem pensar. Dá prisão. Só afro-descendentes. Parece que a lei “Afonso Arinos” em vez de diminuir fez acentuar e prosperar as diferenças.

Preconceitos existem mesmo, sempre existiram - entre ricos e pobres, intelectuais e analfabetos, deficientes físicos e “normais”, gordos e magros; entre paulistas e cariocas, mineiros, baianos e nordestinos; entre moças de família e prostitutas; entre abstêmios e alcoólatras. Sempre foi assim, e vai ser, no Brasil e no planeta. Tudo está registrado na história, nos romances, no teatro, nas letras das mais lindas canções.

A cor da pele do europeu é branca e a maioria dos africanos é preta. Os asiáticos são chamados de amarelos. Será que eles estão preocupados com isso?

No caso dos afro-descendentes a resposta talvez esteja associada à cor preta porque o preto faz lembrar pobreza, escravidão, fome, desnutrição, luto, tristeza, escuridão. Não tem nada a ver com inteligência.
Negros não existem mais; agora são afro-descendentes.
Não podemos dizer que nosso Pelé é negro. Preconceito bobo. Amarelo é amarelo, branco é branco, preto é preto, negro é negro, e verde é verde.
Existe lei que pune afro-descendente que discrimina  branco?

Os afro-descendentes também não aceitam de bom grado brancos em seu meio. Isso é natural. Os humanos não têm culpa. É problema de DNA. Muitos biólogos afirmam que muitos costumes e idiossincrasias independem da vontade, do livre arbítrio. Estão nos genes.

Muitas opiniões e dogmas se formam e se transformam em ódio porque a maioria age e pensa coletivamente.
A individualidade se enfraquece ante o pensamento grupal, que faz nascer superstições, aversões a cores, repulsa às raças, a credos, a religiões, às preferências sexuais, etc.
As mulheres não gostam de ir sozinhas a um restaurante. Por quê? Costume ou preconceito?
Nem Einstein explicou direito esse assunto.


Plínio Montagner