É um tipo de Tratamento no qual as pessoas são selecionadas, formando um Grupo, o qual será conduzido por um Psicoterapeuta Treinado e ajudam-se, mutuamente, a efetuar Mudanças de Personalidade, Transformações. O Grupo se educa na comunhão. Um sonho sozinho, não passará de um devaneio; enquanto que, um sonho grupal, poderá vir a ser uma realidade.
A Interpretação por parte do Psicoterapeuta, para o Grupo, mas não se esquecendo que deverá ter uma abrangência que cubra os conteúdos de todos os participantes, é fundamental para que, segundo WINNICOTT, se o fizer suficientemente bem, o Paciente será capaz de descobrir seu Próprio Eu (Self); será capaz de Existir; e, de sentir-se Real.
A INTERPRETAÇÃO, levando-se em conta as mais variadas Escolas de Psicanálise e de Psicoterapia de Grupo:
a) Para FREUD, ela serve para Transformar o Narcisismo em Édipo, o que nos leva à Lei da Cultura.
b) Para WINNICOTT, ela tem a Importância do Brincar, da Ilusão, da Desilusão e da Realidade; o que nos permite chegar, a um Self Verdadeiro, Espontâneo e Criativo.
c) Para LACAN, ela tem a finalidade de fazer o Grupo passar da Relação Diádica (Narcísica), para uma Relação Triádica (Edípica), com a ajuda da Lei Paterna (Lei do Interdito).
d) Para M. KLEIN, ela tem a função que faz passar da Posição Esquizoparanóide, para a Posição Depressiva, com a Inveja, a Culpa e a Reparação.
e) Para BION, ela serve para as Transformações do Conhecer em Ser.
f) Para MAHLER, ela serve para passar da Fase de Simbiose, para a Fase da Individualização.
A finalidade da Interpretação poderia ser expressa, como ressaltou o Professor Luiz Miller de Paiva, em Novas Perspectivas da Psicoterapia Analítica de Grupo:
O Édipo é o Começo da Cultura e também da Loucura.
O Grau de Loucura (neurose à psicose) é como disse Lacan, uma diferença entre um Édipo Melhor e um Édipo Pior Solucionado.
Bion diz que o Indivíduo se Comunica com o Grupo pelo Édipo.
Lacan diz que o Grau de Édipo, decide o Grau de sua Psicopatologia.
Leão Cabernite diz que: O Édipo é, pois, quem regula a Entrada e também a Saída do Individuo no Grupo.
Como Conclusão, para o Grupo de Psicoterapia Analítica de Juiz de Fora/Barbacena, leia-se Dr.Décio Gilberto Natrielli, Dr.Nivaldo Carlos Soares e Dr.Sebastião Vidigal: Uma Interpretação precisa Causar Mudança e considera indispensável, que toda Interpretação deve trazer Crescimento, Metamorfose e Transformação, ao Psicoterapeuta e ao Grupo.
Prelúdio para uma Interpretação Grupal (segundo S.H.Foulkes):
Foulkes afirma que a Psicoterapia Analítica de Grupo é uma Modalidade de Terapia baseada na Psicanálise, porém jamais deverá ser confundida com ela.
A Interpretação se faz em níveis bem distintos, embora em determinado momento estes se interpenetrem, o que difere da Psicanálise, em que a Interpretação é sempre dirigida do Terapeuta ao Analisando.
Tanto a Psicoterapia Analítica de Grupo, como a Grupanálise, como também a PSICANÁLISE ou, PSICOTERAPIA DAS CONFIGURAÇÕES VINCULARES, são todas herdeiras desta nova concepção, onde o indivíduo e grupo são compreendidos numa relação de reciprocidade, relação esta da qual participam tanto as partes observáveis, quanto os invisíveis do indivíduo; e onde há a noção de que, no grupo como um todo também ocorre fenômenos que vão além daquilo que se pode ver a olho nu.
Um alerta que me parece fundamental, é que, o Aparelho Psíquico Grupal definido por Kaës, do qual decorre a expressão Inconsciente Grupal, é algo muito diferente de mente coletiva ou social, conforme definiam os nominalistas, que consideravam o indivíduo uma abstração; mero produto social.
Poderíamos dizer que o avô comum, de todas as PSICOTERAPIAS, é sem dúvida, FREUD.
A GRUPANÁLISE pode considerá-la fundada por FOULKES (1964); que cita como seus antecessores: Trigant Burrow, Wender, Schilder, Slavson, Alexander Woolf e Bion. Depois, o Professor Eduardo Luís Cortesão (1956), criou a Escola Grupanalítica Portuguesa, baseada nas idéias de Foulkes, quando foi fundada a Sociedade Portuguesa de GRUPANÁLISE.
Enquanto que, a PSICANÁLISE DAS CONFIGURAÇÕES VINCULARES com esta denominação, começou a ser utilizada pelos Argentinos em 1988, para abarcar a psicanálise de diferentes grupos. Teve sem dúvida, uma forte influência, dos Psicanalistas Franceses: Kaës, Anzieu e mesmo de Lacan.
JÁ, COMO VIMOS NA GRUPANÁLISE:
Segundo Cortesão, a Interpretação deve ter vários níveis,
a) Genético-evolutivo acentuando aspectos genéticos do Self, investigando sua estrutura e crescimento.
b) Desenvolutiva baseada na inter-relação do Self com a matriz familiar e social.
Encerro agora, citando uma síntese da Dra.Marina Durand: “Há um deslocamento do centro de interesse. Onde estava o intra, agora está o entre. Evidentemente, o que se passa na zona de encontro tem a ver com a subjetividade dos participantes do vínculo, mas este é definido a partir do desencontro entre os fantasmas que, ao não se completarem, trombam no meio do caminho, dando muita dor de cabeça quando retornam ao habitat original”.
Celia Gevartoski