Uma vez escrevi sobre felicidade nos casamentos, e lembrei-me do sermão de um padre que dizia aos noivos: no casamento não há lugar para hierarquias, pois ninguém é mais nem menos.
Nem duas gotas são iguais. Quando os contrários dão certo, são exceções. Ninguém sai ganhando nas querelas do lar; só desgastes e perda de tempo.
Diferenças de idade, posição social, posses, religiões e escolaridades diferentes sempre foram entraves na relação..
Erra quem casa para ser feliz. Os sacerdotes costumam dizer que no casamento o que vem primeiro é a felicidade do outro.
Em verdade, casamento não é fonte de felicidade, mas de responsabilidades e sofrimentos.
Pelo princípio do individualismo não está certo também essa responsabilidade de fazer o outro feliz porque a felicidade é problema de cada um.
O único pacto que marido e mulher devem obedecer é o de não atrapalhar a vida do outro. Ninguém deve ter a obrigação de fazer o outro feliz. Isto não significa falta de amor, ao contrário, significa muito amor, ao abrir as portas para a liberdade ao outro. Quem ama não prende.
Se alguém diz que sua esposa ou seu marido não o faz feliz, não há nada errado porque a responsabilidade de ser feliz é da gente. Cada um cuida de si. Somos responsáveis por ela. Ninguém deve carregar nosso fardo.
Filhos? Esse é outro assunto. Até certa idade os pais têm obrigação de zelar por eles, amá-los, ajudá-los. Só isso. Depois devem ver a luz, pois nada germina e produz à sombra.
Dizem que aquele que tem riquezas e dinheiro não precisa de mais nada. Será? Felicidade não depende de um fato, de coisas, de bens, de dinheiro, do clima, do frio, do calor, da chuva, do chefe, do carro, de brilhantes. Se para sermos felizes dependêssemos disso estaríamos com sérios problemas.
Felicidade é um estado de espírito. A gente morre e tudo fica. Quem corre atrás de fortuna corre atrás do vento.
Não podemos de forma alguma depender dos outros para sermos felizes. Podemos viajar sozinhos, sem amigos e sem parentes. A felicidade está dentro de nós.
Se morre alguém querido, uma filha, um filho, a esposa ou marido, não morre a felicidade. A tristeza parece não ter fim. As pessoas e nossos amores fazem parte da vida. E as perdas também. Tudo muda, nosso corpo, nossa casa, nosso cachorro, nossas roupas.
Ficamos abalados, mas com o tempo tudo volta a ser como antes.
Não nos preocupemos se não fomos atendidos como gostaríamos, se o amigo não nos perdoou, se o guarda foi hostil.
Ninguém vai dar a mínima se ficarmos combalidos.
fim
Plínio Montagner