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Quem escolhe muito acaba não fazendo NADA!

Quem escolhe muito não arruma emprego, nem casa. É o que dizem os provérbios.

Mas em momentos de tantas incertezas em que a coragem e a confiança são abaladas pelo medo do desconhecido, é natural alguma demora para sairmos de cima do muro.

Mas o problema é que muita gente está demorando demais para tomar decisões.

Tudo que fazemos na vida é procurar o que é útil, que dá poder, que evoca reconhecimento do grupo social. Achar o caminho certo é que é difícil.
Por outro lado, é incrível, mas a derrota ou uma escolha mal feita pode ser o caminho para a felicidade.

Acho que todo o mundo percebeu que escolhas mal feitas às vezes dão sorte. Nem sempre o caminho errado é maléfico, em seu percurso pode haver alternativas para uma melhor escolha.

Quando estou dirigindo e passo da rua que devia pegar, não fico aborrecido nem suspiro de raiva; e penso: se eu não tivesse errado o caminho uma coisa ruim iria me acontecer: batido o carro ou tomado uma multa...

Conheço pessoas que venceram na vida só porque tudo que queriam fazer deu errado. Um professor de Sociologia nos disse uma vez que chegou à secretaria de uma Universidade e perguntou qual era o curso que só funcionava à tarde. Era o de Pedagogia. Terminado o curso, prestou concursos, escreveu livros, deu palestras. Venceu! E a vocação foi para o brejo.

A vida está caminhando numa velocidade contrária à da natureza humana. Nossos ancestrais dormiam e descansavam muito mais do que nós. Está certo que morriam mais cedo e não faziam caminhadas para ficar em forma. Andavam só para procurar comida. O mundo era sua casa. Caçavam, alimentavam-se e dormiam.

Hoje não há mais espaço nem tempo para escolher muito.
Dizem os ditados: quem escolhe muito, pouco come; e, quem muito escolhe acaba sozinho. É isso mesmo, não casa. Moça que fica escolhendo demais para iniciar um namoro, outra lhe rouba a presa.

“Quem muito escolhe fica com a pior espiga” - já ouvi também esta dica filosófica. O tempo passa, a gente engorda, a beleza se esvai e não aparecem outras chances.

É certo que a vida é feita de escolhas, e escolher exige objetividade e cuidado. O desconhecido causa medo que gera dúvida.

Mas o pior é ficar esperando uma fada madrinha para apontar caminhos. É preciso se mexer. A rã não salta por boniteza, mas por precisão.

Não existe a menor possibilidade de se pôr em pratos de balança os caminhos da vida para sabermos o que virá. O futuro não pertence a ninguém. Os caminhos menos arriscados e melhores nem sempre aparecem nas estatísticas. É necessário coragem – ou literalmente, um choque - para vencermos o medo e sair da inércia.

Por que não deixarmos um pouco a vida nos levar? Pode dar certo, pelo menos afasta a nociva apatia.

Temos visto muitos jovens perdendo oportunidades. É verdade, mas muitos ainda acreditam em papais-noéis e em gênios – aqueles das lâmpadas – com poderes de realizar pedidos.

A vida é um palco. Quando passar a luz da beleza, quando os trens das oportunidades forem desativados e quando os pais tiverem partido não haverá mais tempo para sermos atores nem sequer participar como espectadores, pois nossos sentidos estarão obtusos e embaçados pelo torpor geral da sensibilidade.

Então restará ruminar o passado pelas lembranças e reflexão, empobrecidos, tristes derrotados.


Plinio Montagner