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Relacionamentos viciados em brigas

Dentre as inúmeras compulsões, encontramos um em especial que se dá através das brigas nas relações afetivas. Você provavelmente conhece pelo menos uma relação amorosa que parece se alimentar de confusões, conflitos, desconfianças, enfim de brigas, com agressões verbais e muitas vezes até físicas, não conhecem? Estas relações são sofridas, cheia de altos e baixos. E por incrível que pareça percebemos que as pessoas envolvidas parecem se empenhar para assim se manter.

Mas o que estaria atrás disto tudo? Com certeza as emoções fortes e a adrenalina são uns dos principais aliados.

Neste tipo de relacionamento tendemos a classificar o sofredor e o outro, o causador do conflito, ou seja, o passivo seria o “coitado” enquanto o ativo seria o “carrasco”. Mas não é bem assim, que acontece. É bom lembrar que só fazem conosco aquilo que permitimos mesmo que aparentemente pareça que não é bem assim, posso assegurar que é. Temos poder sobre nossas vidas. De uma maneira consciente ou inconsciente damos respostas aos estímulos recebidos, respostas estas que determinam os padrões de vida afetiva que estabelecemos.

Entre os pontos comuns nas relações afetivas viciadas em brigas encontramos:
O casal considera sinônimo - vida tranqüila e estável com vida parada, sem graça e monótona.. E para sair disto provocam brigas, que levam ao amor e ódio; apego e rejeição, ofensas e perdão dramático (tapas e beijos). O turbilhão destas emoções tão radicais e opostas que acontecem praticamente ao mesmo instante termina quase sempre da mesma maneira, ou seja, na cama, onde o sexo se potencializa, passando a ter o sabor da vitória, da reconquista. Porém a constante repetição deste episódio gera ao casal sofrimento, pois eles passam a perceber que esta explosão de emoções os prejudicam, e não conseguem sair deste trama.

Outro ponto comum que encontramos é na dinâmica da relação, onde um faz o papel de dominador e o outro de dominado, porém mais pra frente estes papéis se invertem e o dominador passa então a ser o dominado e vice-versa. Isto ocorre quando aquele que esta se sentindo dominado não agüenta mais e reage retomando sua auto estima.

O interessante nisto tudo é que geralmente aquele que quer dominar o faz para poder esconder sua insegurança adotando assim uma atitude oposta. Ele necessita da fragilidade do seu parceiro para se sentir seguro e confiante. Neste tipo de relacionamento, para amar é necessário temer, ficar inseguro, tenso. A paz dá tédio. O respeito passa a ser sinal de fraqueza e passividade. A tranquilidade é sentida como algo monótono, sem vida, apático. Eles necessitam do fantástico, inédito, surpreendente, mas nunca se satisfazem e acabam prejudicando o relacionamento muitas vezes de forma irreversível.

Quebrar esta dinâmica é algo muito difícil, é necessário que o casal visualize todo o processo, compreenda como ele se dá no dia a dia, e mais ainda, é necessário que eles busquem dentro de sua história de vida os motivos que os levaram a serem desta maneira. Normalmente este processo requer ajuda profissional dada a sua complexidade.

O paciente que busca seu auto conhecimento, normalmente consegue alternativas mais saudáveis, passando a sublimar seus sintomas, tornando-os saudáveis. Conseguem criar  estas situações de prazer, perigo, com a adrenalina a mil , por exemplo praticando esportes radicais.


Margarete Zenero