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Sempre Primavera

As folhas tristes e exauridas das árvores, que tinham uma cor dourada e a textura própria da estação, acarpetavam todo o chão da floresta. Mas, na primavera, tudo se rejuvenesceu novamente, e as verdes e lustrosas copas, voltaram a esperar seus inquilinos: os animaizinhos que buscavam comida, e iam acarinhando e dando abrigo aos pássaros, que cantando, orquestrados pelos braços da ramaria dos galhos, balançavam ao sabor da brisa amena, formando coros harmoniosos.

Quando a folhagem filtrava os raios do sol, as árvores se mostravam em toda sua realeza. Todas as flores se abrindo em profusão,embelezando o lugar,  se ofereciam às abelhas que ali pousavam, em busca do néctar para produzir o mel silvestre, e aos colibris, que como verdadeiros bailarinos aéreos, movimentavam velozmente as asas, a ponto delas formarem um leque etéreo no ar, vindo sugar o âmago de cada uma delas. O olor das flores das laranjeiras tornava a floresta numa fábrica de perfumes, pois cada árvore parecia uma destilaria para fazer extratos, onde os odores se mixavam.

Os frutos das amoreiras e de muitas outras árvores, atraíam os bandos, que iam chegando, logo de manhã, vindos de todos os lugares: sabiás, juritis, pintassilgos, rolinhas e os canários com seu cantar mavioso.

O joão-de-barro veio com a noiva para construir sua casinha no áxil do galho de uma paineira. Atarefado para terminar logo o trabalho, ansioso, trazia um pouco de paina e de palha daqui, um pouco de barro dali, e assim, ficou pronta a construção, voltada contra o vento e inclinada para não entrar chuva. Viraram  inquilinos daquela paineira.

Todos se ajudavam, porque a formação de um ecossistema depende de um dar e receber recíprocos, de todos os seres que ali vivem: os insetos polinizam as flores, os pássaros levam as sementes que perpetuam a vida. E o arvoredo, além de alimentar a todos, traz abrigo e sombra para todos que vivem nesse paraíso.

Um dia, o som do machado do lenhador ecoou até os confins da mata! Prefiro não terminar a história dessa maneira triste...

Mas eu vi! Sim... Eu vi que troncos e ramos vertiam seiva, como se fossem lágrimas!


Elda Nympha Cobra Silveira