(Freud, Reich e Lowen)
Sigmund Freud (1856) É tido como o responsável pela terceira grande falha narcísica da humanidade. A primeira foi a descoberta de Copérnico, ao sustentar não ser a Terra o centro do Universo. A segunda veio de Darwin, ao dizer que o homem é fruto do meio assim como o vento, as árvores e o macaco. Freud então, simplificando Nietszchie e Schopenhauer, cunha o termo inconsciente e diz: “O homem já não é o senhor dentro de sua própria casa”, ou seja, somos determinados não pela nossa vontade consciente, mas sim por algo que nos passa, que nos é incontrolável, o inconsciente.
Neste vídeo temos uma noção do paradigma pulsional Freudiano: (http://youtube.com/watch?v=PEfW64bJK3I). Aqui podemos ver a fonte de energia do sintoma, ou como o inconsciente determina nosso comportamento. Posto isso, pergunto: como, se inconsciente dos reais motivos que me fazem agir, posso ser bem sucedido nas minhas respostas as perguntas que o meio me coloca?! Estou aqui, agora, porque?! Quais os reais determinantes da minha vida?! Vou a uma palestra para ouvir o conteúdo e me instruir ou para desfilar minha roupa nova?! Vou ao restaurante para me alimentar ou para ver e ser visto?! Como chocolate por prazer ou para aliviar meu vazio existencial!? Compro um presente para minha mãe no dia das mães por amor e vontade ou para aliviar a culpa que sinto?! Um exemplo pertinente:
“Dois monges precisavam atravessar um rio para chegar ao seu destino. Nele encontram uma linda jovem que lhes pede ajuda. O monge mais novo, de imediato, nega e justifica sua atitude informando-a que deve se afastar de mulheres, pois a energia que elas despertam nos homens podem atrapalhar sua meditação. Já o monge mais velho a pega no colo e a atravessa. Seguem viagem e, duas horas depois, o monge mais novo, atônito, questiona o mais velho: “Como você pôde fazer aquilo?!” “Aquilo o que?!” pergunta o mais velho. “Carregar aquela moça em seus braços!” diz ele. “Ahh!! Eu a deixei lá atrás, do outro lado do rio, há mais de duas horas! Você ainda a está carregando?!”
Freud teve uma morte sofrida (eutanásia depois de muitas cirurgias na mandíbula) numa época em que a humanidade vivia a sombra da segunda guerra, e deixou bem clara a dificuldade humana em lidar com o emocional. Neste vídeo vemos um pouco de sua visão digamos “pessimista” de homem.
Aqui fica clara a diferença entre impulsividade e espontaneidade, entre euforia e alegria. Talvez, se nosso alfaiate estivesse um pouco mais conectado com a realidade e menos com o ideal de voar, se sentisse a força da gravidade de forma correta, se estivesse em contato com seu corpo, evitaria a aniquilação de sua vida. E o mesmo acontece em todas as dimensões de nosso existir, somos sempre confrontados com a diferença entre o real e o ideal. Se em nossa ânsia por felicidade suprema queremos o par perfeito, o amor perfeito, o carro perfeito, a casa, a família, a vida perfeita, somos, todos, nesse sentido, alfaiates querendo voar. Quando meu prazer vai contra o princípio da realidade, existe um choque, uma desconexão. Quando bem adaptado, articulado, conectado, equilíbrio com o meio é a resposta esperada.
Uma frase significativa de Freud: “O acaso demonstra a fatídica e comprovada verdade de que a fuga é o instrumento mais eficaz para se tornar prisioneiro daquilo que se deseja evitar.” E a mensagem que tiro dele é a de que precisamos entender nosso corpo, saber usá-lo, escutá-lo. Pois Freud entendeu muito bem nosso pensamento, mas deixou perguntas no que diz respeito a relação entre ele e nosso corpo.
Aqui entra seu discípulo Wilhelm Reich (1897), que aplicou os conhecimentos dele ao corpo. Reich foi designado por Freud para coordenar os seminários da teoria da técnica psicanalítica. Ele ficou nessa função por seis anos e, nela, transcendeu em muito a psicanálise. Percebeu que tornar o inconsciente consciente liberava somente parte da energia reprimida – a fonte de energia do sintoma – e entendeu que o conteúdo emocional ligado as idéias e dissociado no inconsciente, deveria ser expresso pelo corpo, ou seja, sentido e vivenciado para a total liberação e “cura” real da neurose. Das suas contribuições seleciono para nosso tema os sete anéis da couraça neuromuscular do caráter e suas relações entre corpo, mente e emoções; a importância da espontaneidade como metáfora do contato com o interior e as 4 camadas da nossa personalidade.
Reich tinha uma visão funcional de “corpo/ mente”, sistêmica, holística, que é contrária a mecanicista, cartesiana, positivista. Espero tornar esse assunto mais claro com este fragmento:
Dele fico com estas duas citações: “Qualquer distúrbio de sentir plenamente o próprio corpo corrói a confiança e si, e cria, ao mesmo tempo, a necessidade de compensação.” E: “A capacidade de suportar o desprazer e a dor sem se tornar amargurado e sem se refugiar na rigidez, anda de mãos dadas com a capacidade de aceitar a felicidade e dar amor."
Outra frase contundente é esta de Fritz Pearls, criador da Gestalt Terapia e cliente de Reich em sua formação em psicanálise: “Ter o insight de que somente nos próprios instintos e na própria percepção está a solução dos desafios encontrados na vida evita as crenças exageradas, a necessidade de autoridade e a submissão cega a outros; por outro lado, estimula a reflexão, a originalidade e a criatividade necessárias para resolver dificuldades e inesperadas situações. É um fato comprovado que quanto menos confiança tivermos em nós mesmos, quanto menos contato tivermos com nós mesmos e com o mundo, maior será o nosso desejo e necessidade de controle”
Reich, na última fase de sua vida, se dedicou a fenômenos físicos e teve (dentre vários) um discípulo de nome Alexander Lowen, que continuou seu trabalho aplicado aos humanos, vamos a ele:
A Análise Bioenergética, a teoria criada por Lowen, é a psicanálise como concebida por Wilhelm Reich aplicada ao corpo. Uma frase de Reich que resume bem sua visão é: “O corpo é o inconsciente visível.” Ou seja, nosso corpo carrega em sua postura, jeitos, olhares, tensões, etc, nossas experiências emocionais, nosso caráter, nossos traumas, nossa forma de descarregar a ansiedade, de obter prazer, enfim, nossa personalidade é visível no nosso corpo. Um bom analista bioenergético reconhece esses traços através da leitura corporal, e, por isso, tem grande chance de se posicionar satisfatoriamente no ambiente.
Mas o que é e como se faz a leitura corporal?! Reich dividiu nosso corpo em sete segmentos. Os anéis da couraça. E cada um deles guarda determinado humor. Alguns são óbvios. No quadril temos a sexualidade, nosso anel mais forte e primitivo. Nos ombros a responsabilidade (“ele carrega a família nas costas”). Nos braços e mãos a possibilidade de realizações, atividade, afastar o que é ruim, trazer o que é bom. Nos olhos o contato com os outros, no peito as emoções do coração. Por exemplo, ao olhar para a postura de alguém, a forma como fica em pé, posso entender muito dessa pessoa (alguns são guerreiros, outros cowboys, outros passionais), o mesmo ocorre ao observar a forma de caminhar (com a cabeça, peito ou sexo dominantes). Quando frente a frente, as entradas estão abertas, coração com coração, olhos nos olhos, pelve com pelve, quando de lado ou com as pernas e braços cruzados ou olhar ladino, existe desconfiança, colapso, quebra de fluxo. São inúmeros exemplos...
Os insights que Lowen nos trás: o contato com as emoções nos proporciona uma posição mais sincera e espontânea. Primeiro vem o emocional, depois o pensamento e a ação, ou seja, nosso corpo é o órgão que capta os estímulos do meio e nos conecta com os outros seres humanos, o ambiente e com nós mesmos.
Com o próximo vídeo espero tornar clara essa proposição:
Ou seja, estamos todos ligados/ conectados, dividimos campos e somos influenciados uns pelos outros; vivemos juntos e são nossos corpos os primeiros a perceber as variações e os sinais uns dos outros, os órgãos dos sentidos nos conectam aos outros nesta ordem: sentimento, pensamento e ação.
Por último um vídeo que assemelho ao processo terapêutico, um salto quântico:
De cada autor tirei uma mensagem, fica aqui a minha: exploremos a dimensão corporal.
Dante Moretti