Bem, se fossemos falar sobre o legado que cada um destes teóricos nos deixou, ficaríamos aqui divagando durante muitos meses, anos, talvez. Não nos resta dúvida, de que, nenhum deles deixou o seu nome para a história, se algo de surpreendente não tivesse observado e escrito. Precisamos sim estudá-los, venerá-los; mas, o mais importante se faz senti-los, entendê-los realmente, e para tal, precisamos estar bem psicanalisados, termos humildade, senão ficamos na metonímia, na teoria, numa onipotência, onisciência, num narcisismo primário, perverso, vivendo no imaginário, num ilusionismo... Sem simbolizarmos! Sempre, necessário se faz, aprendizado com sentimento, como dizia Bion.
Embora, enquanto existir vida haverá conteúdos a serem analisados; mas também, haverá capacidade de aprendizado... Cansamos de ver no nosso dia-dia, muito perto de nós até, entre nossos amigos, nossos familiares e o que nos é muito triste, em nossos colegas de profissão, da área da saúde. E como fica claro para nós, que a duras penas e muita análise pessoal, aprendemos a “simbolizar”, que é a capacidade de formar símbolos, dependentes da capacidade do nosso ego em suportar as perdas e substituí-las por eles, saímos da “metonímia”; que estas pessoas, estudam tanto e só conseguem entender o que os seus conteúdos permitem, continuando a serem “uns teóricos”, continuando a conviver em “Ataque e Fuga”, “Acasalamento”, etc.. Como sermos “continentes”, se não suportamos se quer os nossos “conteúdos”? Daí, partirmos para Vínculos Tanáticos, num jogo de Sedução-Seduzida, dando fomentação ao lado perversa da nossa personalidade. Em vez de, praticarmos Vínculos Sadios e Construtivos.
Para tal, precisamos tirar as nossas “cobertas”, que camuflam as nossas verdades preexistentes, conhecendo nosso “objeto psicanalítico”, descobrindo a nossa realidade psíquica e por extensão, também a de outras pessoas de nosso convívio ou do tipo de vinculações praticadas entre elas; dando oportunidade para que, a nossa pulsão epistemofílica, desabroche; floreça; através de, um Vínculo de Amor, Ódio, Conhecimento e de Reconhecimento, entre o Profissional e o Paciente, propiciando as Transformações e Mudanças na Vida do Paciente.
Como o ser humano não é gregário e sim social, ele precisa do outro para espelhar-se e conhecer-se, precisa do grupo para sobreviver, porque é o grupo o patrono da sua criatividade. Penso que, resumidamente, todos estes ícones da Psicanálise, cada um à sua moda, foi isto que nos ensinaram, para praticarmos.
Celia Gevartoski